segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Miragem

Passando por dias piores,
Do que os que eu esperava que chegassem,
Tudo o que como tem gosto de doença,
E todo cigarro,
De analgésico,

Meu corpo parece não se encaixar,
Parece querer romper-se a todo instante,
À sobrecarga,
À overdose de problemas gratuitos,
Que aos poucos engolem,
O resto de vida que tenho em mim,

O tempo passa como as gotas de veneno,
Que gotejam pacientes pela parafernalha intravenosa,
E sinto sono...

E como um paciente terminal,
Sinto um lapso de aversão à idéia da morte,
E armo meu último contragolpe,
Procurando sobreviver para contar história,
E rir da cara de uma maneira tão tola,
De se deixar a vida morrer.


Viver é sempre difícil,
Quando o que se busca não é fácil,
Quando quase tudo o que é comum deixa de ser o bastante,
Para tornar-se redundante,
Errado,
E cansativo.

Percorrer um caminho diferente,
É caminhar sozinho,
É dormir ao relento,
E lutar contra a iminência,
De um fim trágico armado a cada milha,
A cada miragem convidativa,
A cada armadilha
Cada pesadelo tangível que esconde a direção certa de se tomar.

Caminhar sozinho,
É o único meio pelo qual eu consigo,
Realizar o sonho de ter um sono tranquilo.

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