Hoje eu senti vontade de escrever um texto diferente. Alguma coisa que me faça aprender algo de útil, que traga uma conclusão nova, alguma coisa original. Se isso fosse fácil como descrever uma sala, uma jangada, um pássaro voando, como fazer uma analogia, que sempre leva a milhares de interpretações diferentes e válidas, como exprimir a dor de uma perda inestimável... Hoje eu procurei uma razão maior, uma solução para problemas que perseguem covardemente a vida de bilhões de seres humanos, alguma filosofia de vida que não me leve necessariamente à hipocrisia. Mas não é fácil e não tem nem como saber se isso é possível. Mas por que não? Por que não se pode ter uma solução palpável para, pelo menos, os problemas mais cruéis? Por que viver a vida toda em um labirinto recoberto, senão preenchido, por miseráveis seres humanos animais que não suportam a idéia de um mundo menos sofrível?
Viver é como tentar desvendar o funcionamento de um nó cego puxando aleatoriamente um fio aqui e outro ali, enquanto pensamos que deve existir um propósito maior para que o nó tenha parado de enxergar. Não tenho religião e não digo que um dia vou ter uma ou que não vou, mas as religiões que conheço pregam paz, generosidade, bondade e respeito. Acho eu que deveriam pregar também o censo crítico, se alguma já não prega, vai saber... E o que nós temos é um planeta extremamente irritante, maçante e infeliz. Nem com o conhecimento que a humanidade tem, nem com as crenças e filosofias desenvolvidas por todos esses anos desde que deixamos de ser macacos conseguimos tornar as nossas próprias vidas dignas da tranquilidade da certeza de que não se precisa ter ou querer muito além do que se precisa para que todos nós vivamos num mundo menos luxuoso, mas bem mais agradável.
O cérebro tem uma capacidade de processamento muito lenta. Por que não conseguimos nós, donos do próprio nariz e responsáveis pela vida na Terra ou pela sua destruição, chegar a alguma conclusão que faça com que, pelo menos, se corrompam menos pessoas, morram menos pessoas, com que menos pessoas se afoguem num mar de depressão, bebedeira e/ou meios mais rápidos de auto-destruição... Precisamos esperar por algum cientista que nos prove matematicamente que a melhor solução para uma vida mais tranquila e feliz vem com menos ganância, arrogância e correria? Por algum super-herói que salve a Terra do apocalipse? Por algum Deus que venha - ou volte - à Terra para nos livrar de todo o mal? Não existe uma solução mais tangível? Por Deus do Céu, não existe um jeito menos errado de se viver essa vida?
Com tanta gente reclamando que o Brasil e o resto do mundo são um lixo e que as pessoas são todas igualmente egoístas em qualquer lugar que se visite, não seria mais inteligente ser menos igual àquilo que se reclama? Às vezes me bate uma tristeza de saber que eu só vou viver uma vez e que não tenho nenhuma esperança real de que o mundo melhore antes que eu morra. Não acho romântica ou utópica a idéia de um mundo melhor, por que eu não acredito que ele melhorará a tempo. Mas o que me impressiona é que ele continue o mesmo com tanta gente querendo tanto que ele mude.
1 comentários:
Reclamar é mais fácil do que agir.
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