Às vezes me sinto na janela,
De um apartamento,
Trancafiado.
Vejo o mundo lá de dentro,
E não tenho vontade de sair,
Nem de ser visitado.
Às vezes sinto uma letargia,
Letal.
Fecho a cortina,
Sem ser visto,
E sem vontade,
De nada.
Sento num sofá velho,
Recheio meia hora com o mofo das lembranças mais profundas,
Expresso a dor da perda,
A perda do sentido,
A pedra no sapato,
E o torpor do suicídio.
Até lembrar-me que em algum lugar de mim,
Existe uma força represada,
Que não deixa eu me trancafiar,
Sem a certeza de que cedo ou logo eu vou voltar,
Mais forte do que antes.
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