Belo dia hoje. Ontem. Anteontem. Toda a carniça e a porcaria do mundo resolveram rondar a minha cabeça feito uma alucinação doente. Não sei o que aconteceu nas últimas duas semanas, eu devo ter ficado louco. Meu raciocínio tem funcionado como se eu tivesse febre o tempo todo. E eu sei como minha cabeça funciona feito um PC velho e cheio de vírus nessas situações tão conflituosas. Oh Deus. Foda-se.
Em duas semanas eu perdi as estribeiras e dei de cara numa pedra. Coisa assim. Perdi a sensação de paz e sossego que eu achava ter alcançado no último semestre. Eu devo ter tomado muito porre violento e alguma coisa importante deve ter sido apagada no meu cérebro. E hoje em dia estou puto, grosso e sem vontade de ver ninguém. E cansado. Tenho tido vontade de me internar pra poder descansar ininterruptamente. E tudo isso fica mais interessante por que aconteceu em 2 semanas. 2 Semanas. DUAS semanas. DuAs SeManAs! Meu cérebro deve ter comprimido no avião enquanto eu voltava de viagem.
Estou agora me concentrando para ver se a mente recupera um pedaço de paz. PAZ. PaZ. pAz! Onomatopéias! E tudo mais e coisarada! Entrei num labirinto e fiquei burro.
Fico pensando de vez enquando no passado. O passado. Se isso ou aquilo tivessem acontecido ou deixado de acontecer de um jeito X, então... Eu não gosto de pensar em como as coisas seriam se a sucessão dos fatos tivesse ocorrido de outro jeito por que elas são como são e não tem teimosia que resolva. Ou mude pra pior. Ou tanto faz. Mas sou gente e sou burro. E penso nisso. É inevitável, o cérebro pensa em uma bolera de coisas durante um dia, uma hora ela passa pelo lamaçal do "como seria se fosse". Não dá pra controlar. E então, como se eu pegasse a folha impressa do pensamento, enchesse ela de rabiscos, amassasse e jogasse dentro da gaveta, eu digo "Foda-se". E tento pensar em outra coisa.
Às vezes eu fico do mesmo jeito, olhando praquela folha rabiscada e com o estômago se revirando indefinidamente até que levo um susto, me distraio ou durmo. E é o que tem acontecido nos últimos dias. E nem dá pra saber direito qual é o motivo. É como se uma espinha gigantesca tivesse sido espremida e o que se vê por tudo é pus e sangue cobrindo o que tem envolta e até um pedaço do horizonte. Tudo está distorcido e coberto de pus e sangue.
Você sabe o que fazer quando o cérebro anda para a frente, ainda que devagar. Tem-se certa idéia do que se quer e se faz o necessário para atingí-la. É moleza. Minha cabeça não vai pra lugar nenhum e não lembro mais o que quero da vida. Deve ser culpa da gosma que cobre tudo num raio grande. O que fazer então? Não tenho idéia. E é por isso que eu estou escrevendo sobre isso feito um inseto, pra ver se alguma coisa clareia. Acho até que isso dá resultado às vezes. Mas no mais, nem quero mais escrever.
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