segunda-feira, 12 de março de 2012


Na hora que o livro acaba,
Bate uma saudade,
Como a de alguém que parte.

Os olhos marejam de sincera,
E insensata,
Humanidade.

Terminar uma história,
Que não é sua,
Faz de si um personagem incógnito,
Que espreita ansioso,
Pelo desabrochar de um final que, melhor seria,
Não chegasse nunca.

É despedir-se em silêncio,
Assentir pesaroso,
Sem poder expressar um adeus,
Que cimente o vazio deixado,
Por quem se vai.

Nada mais triste,
Do que despedir-se entristecido,
De ninguém.

Se eu tivesse um desejo a ser realizado,
Neste dia de hoje,
Eu desejaria trocar algumas palavras,
Com quem acompanhei por tantas linhas e tantas páginas,
Que não tem lugar no tempo,
Ao contrário de mim,
Preso ao esvaziar da ampulheta invisível de uma vida real.

Eu gostaria de poder tocar,
Ver,
Sentir o cheiro e a brisa,
E nada mais.

Uma história que toca o profundo,
Nos desfaz em saudades,
E nos torna melhores personagens.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Criatura Noturna

Me pergunto, Criatura,
O que fazes contigo?
Este costume teu rasura,
A divina pintura,
Em barro seco,
Em terra dura,
Do ser diurno que teme a noite,
Que se esconde,
E que se esgueira à luz do dia,
Da ameaça de quem o pode enxergar.

Por que insiste em patrulhar pelos cômodos,
Como viatura,
Que patrulha ruas desertas,
Me pergunto, Cratura,
É certa essa vida tua?

Você procede com o jeito,
De alguém que insinua,
A desviar-se do caminho,
Vive com jeito de quem se apruma,
A não dizer adeus e debandar.

Só te digo, tenha cuidado,
Cuidado na vida,
Com este teu destino renegado,
Passo em falso na sombra,
Faz ferida dura de curar,
Ainda que à luz do dia.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

O quanto você me importa

Quadriculo,
Um quadro clínico,
De arritmia cardíaca,
Por que o meu corpo,
Quase não comporta,
O quanto você me importa.

Quase perco,
O controle,
Como hipnose,
Quase me engole,
Quase me aborta,
O quanto você me importa.

Como doença incurável,
Como um passeio,
Interminável,
Como uma droga,
O tanto que você me importa.

Mas o quanto eu já quis,
Não é mais,
Como já foi,
Como já fui quase feliz,
Por que o que hoje tenho em volta,
É fraco e não suporta,
Como a vida sempre teima,
E sempre mostra,
Que a dor pode vir até de você...

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Uma sombra sobrevoa,
A sala, o quarto,
A varanda,
E pouco sobra.

Uma sombra sobrevoa,
A sobrevida de um corpo que se arrasta,
Sobre o chão,

Sobre os rostos e os restos de uma guerra,
Travada no silêncio,
Entre as sombras da solidão.

Uma sombra sobressai-se,
Entre as outras,
Entrevada de ferrugem,
Rangendo os dentes e os ossos,

Rugindo a falta,
De um pouso,
Uma sombra sobrevoa,
Sub-humana.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Ultimamente,
Minha maior dificuldade,
Tem sido falar em português,

Não que sinta deficiências,
Na minha fala,
Mas não sei se minha lógica,
Minha reflexão,
Minhas horas de prática,
Fizeram minhas idéias fluírem claras,
E compreensíveis,
Em um lugar aonde eu não,
Monologue.

Ultimamente,
Minha maior dificuldade,
Tem sido me livrar do reboco,
Dos remendos,
Dos curativos,
Do sedativo da minha solidão,

Ultimamente,
Minha vida se transformou,
Em uma comédia rebuscada,
De um humor fúnebre,
E lapidado,
Que me faz de palhaço.

Ultimamente,
Deixei os pratos caírem,
E assim,
De equilibrista,
Passei a comediante.

Fora dos palcos,
Sou mais um pateta recluso,
Na masmorra insone,
Da minha prisão domiciliar.

Ultimamente sou um preso,
Um paciente atordoado,
Por ter chegado o fim da paciência.

E como se tivesse levado,
Uma mordida de aranha marrom,
Sinto minha vida de pateta,
Necrosar.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Aquela cena,
Aquela cela,
Aquela centena,
De razões,
Irracionais.

Aquela gota,
Aquela lágrima,
Que transborda o copo d'água,
Dos meus olhos.

Aquilo tudo,
O que eu não quero,
Teima tanto,
Quanto espero,
Não entrar em desespero.

Aquilo tudo,
Mais parece,
Logro do destino,
Que persegue,
E açoita,
Minha alma calejada.

Aquele filme longo,
Aquele fim vai logo,
Mostrar que eu não posso,
Querer que ele não termine.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Toda madrugada,
Eu viro brasa,
Viro cinza,
Viro fumaça,

E dissipo...

Toda madruga,
Parece drogada,
Mas não é.

Mas toda manhã é enrugada,
O sono é lento,
Não chega a tempo,
Espero tanto,
Que envelheço... três dias por cada noite mal cochilada.